Fato Nº 35

O “papel armênio” é apenas um reflexo da longa presença armênia na Europa Ocidental

A presença armênia na Europa Ocidental é, sem surpresa, antiga e substancial. Como poderia a Diáspora manter-se longe – e evitar fazer parte – da grande riqueza de cultura, educação e tecnologia da qual aquela parte do mundo tem estado na vanguarda há tantos séculos?

Há indícios de armênios atravessando os mares Negro e Mediterrâneo há muitos anos. Entre alguns de muitos exemplos está o de um bispo armênio que disse ter visitado o Tours na França, em 591 dC. Além disso, há uma inscrição com o alfabeto armênio em uma igreja em Tarascon, também na França, que testemunha um descendente de Mesrop Mashtots naquele país – que, também, antes de 1200 não continha as duas letras finais que foram acrescidas posteriormente. Para dar mais um exemplo, houve uma delegação do Reino Armênio da Cilícia, que era encontrado no caminho da Noruega durante o século XIII.

Tirando tais casos isolados de lado, a atividade mais difundida aconteceu durante e após a Idade Média, que foi quando os comerciantes armênios dobraram as várias rotas de comércio e juntaram-se a Era dos Descobrimentos, em busca de novos produtos e novos mercados. Eles se estabeleceram em todos os lugares, desde Veneza, Itália até Cádiz, Espanha, e Bruges, aonde é a Bélgica hoje. Os comerciantes armênios da Inglaterra, mais tarde, foram particularmente conhecidos por suas proezas no comércio têxtil. A mais antiga igreja armênia na Inglaterra data de 1870 e está localizada em Manchester.

Mas não foi apenas a compra e venda de bens que detinha o interesse dos armênios. Além do culto, a célebre Congregação Armênia Mkhitarian, com os seus mosteiros em Veneza e Viena, estava fortemente envolvida em publicações em língua armênia – um pedaço de tecnologia que remonta sua terra natal e da região, resultando em um trabalho pioneiro de impressão no Médio Oriente, graças aos esforços armênios.

Uma tecnologia que foi no sentido contrário é conhecida como “papel armênio” ou, para usar as versões europeias do seu nome, Papier d’Arménie ou Carta D’Armênia. São pequenas folhas de papel finas, em forma de acordeão, cobertas por uma resina, lentamente queimadas como um incenso, utilizadas para gerar um cheiro agradável. Auguste Ponsot descobriu essa prática em sua viagem à Armênia, no final do século XIX. O Papier d’Arménie foi posteriormente apresentado na Exposição Internacional (Feira Mundial) de 1889, em Paris, que também foi quando a Torre Eiffel foi inaugurada.

O século XX viu um grande movimento para a Europa como resultado do Genocídio Armênio, e também do Oriente Médio, já que regimes instáveis ​geram circunstâncias desfavoráveis ​​em lugares como Líbano, Síria, Irã, Iraque, Egito, Jerusalém, bem como a Turquia. Nos últimos anos, os armênios da Armênia e em outras partes da antiga União Soviética têm visto seu número aumentar na Europa. Além da França, que tem de longe a maior e mais organizada diáspora armênia na região, as comunidades são encontradas em Portugal, Espanha, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria e Suécia, o lar de pessoas como o chansonnier Charles Aznavour, o quadrinista Kev Orkian, e futebolista Henrikh Mkhitaryan. Desnecessário dizer que armênios podem ser encontrados em outros países da Europa Ocidental e do Norte, mesmo sem uma igreja ou centro comunitário.

Para mais fatos sobre os armênios na Europa Ocidental visite estes links do Projeto 100 Anos, 100 Fatos:
Fato 4: O último rei armênio não está enterrado na Armênia.
Fato 21: Alexander Mantashev foi um dos mais ricos magnatas do petróleo do mundo e um dos principais filantropos armênios do início do século XX.
Fato 23: As primeiras cafeterias europeias foram estabelecidas por armênios.


Referências e Outras Fontes

1. Tim Greenwood. “Armenia”, em The Oxford Handbook of Late Antiquity (editado por Scott Fitzgerald Johnson). Oxford University Press, 2012
2. Mairie d’Althen des Paluds. “Jean Althen
3. Manchester City Council. “Multi-Cultural Manchester: Armenians
4. “Armenians Invade Norway”, Civilnet, December 20, 2013
5. Aedes de Venustas. “Carta d’Armenia – Armenian Burning Paper
6. Monapart. “Papier d’Arménie”, March 25, 2010 (em espanhol)
7. Wikipedia: “Papier d’Arménie
8. Wikipedia: “Armenians in France
9. Wikipedia: “Armenians in Italy
10. Wikipedia: “Armenian diaspora


Artigo Original

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Legenda da Imagem

Um estatuto em Avignon, um monumento a Jean Althen – Hovhannes Althounian (1709-1774) – engenheiro agrônomo armênio que introduziu uma nova técnica de tingimento, impulsionando assim a economia no sul da França, no século 18; uma comuna (município) do país tem seu nome.


Atribuição e Fonte

Por User:Vmenkov (Own work (own photo)), via Wikimedia Commons


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