Fato Nº 42

O evento que definiu nacionalmente a Austrália e Nova Zelândia aconteceu na sombra do Genocídio Armênio

Austrália e Nova Zelândia são os últimos membros da diáspora armênia. Embora alguns armênios individuais traçaram seu caminho para aquela região do mundo nos séculos anteriores, foi apenas na década de 1950 que houve um significante movimento naquela direção. Comunidades organizadas vieram a ser formadas em Sydney e Melbourne, com indivíduos e famílias em outras partes da Austrália, assim como na Nova Zelândia.

Desnecessário será dizer que o desenvolvimento económico da Austrália e Nova Zelândia ao longo do século XX atraiu imigrantes de todo o mundo, incluindo os armênios do Oriente Médio e da Índia. O fim do domínio britânico na Índia, em 1947, e vários projetos econômicos, como a nacionalização, levaram muitos indianos-armênios a se afastar de seu reduto em Calcutá nas décadas que se seguiram. Mais recentemente, os armênios da Armênia em si também fizeram migraram para a região.

Apesar de ser uma comunidade da diáspora recém formada, as raízes armênias na Austrália e Nova Zelândia são um pouco mais profundas do que parecem à primeira vista.

Cada ano, o Dia ANZAC marca o grande sacrifício que o povo da Austrália e da Nova Zelândia fez durante a guerra em geral, e em particular em frente ao Gallipoli durante a Primeira Guerra Mundial, em que as Forças Armadas da Austrália e Nova Zelândia – daí ANZAC (Australia and New Zealand Army Corps) – lutou ao lado dos Aliados. O objetivo era afastar as tropas otomanas, a fim de abrir um caminho para a capital, Constantinopla (Istambul). A campanha foi um fracasso profundo, resultando em enorme perda de vidas. Mas também resultou em forjar uma identidade que foi verdadeiramente nacional, que trouxe o povo da Austrália e o povo da Nova Zelândia em conjunto de uma forma que séculos de povoamento e colonização não tinha conseguido.

O dia ANZAC é rememorado todos os anos no dia 25 de abril, que foi o dia, em 1915, que os soldados desembarcaram em Dardanelos – exatamente um dia após o início do Genocídio Armênio. Entre os inúmeros relatos dos horrores do Genocídio estão as memórias de tropas ANZAC e dos prisioneiros de guerra.

Hoje, Turquia e Austrália comemoram essa batalha altamente decisiva em suas respectivas histórias, mas alguns elementos do contexto dessa guerra são muitas vezes deixados de lado. A comunidade armênia da Austrália tende a usar o argumento da ANZAC em seu próprio discurso sobre o Genocídio Armênio. O apoio que a comunidade tem recebido resultou em repercussões da Turquia como a proibição de figuras públicas australianas em comemorações do dia ANZAC em Gallipoli. Esta proibição de políticos australianos na Turquia, é importante notar, está em fase de preparação para o que será o centenário de tanto o Genocídio Armênio quanto do desembarque ANZAC, em 2015 – um ponto de viragem solene na história dos armênios, e na história do povo da Austrália e da Nova Zelândia.


Referências e Outras Fontes

1. Armenian Genocide Education Australia. “Anzac Eyewitnesses
2. Michael Brissenden. “Turkey threatens to ban MPs from Gallipoli centenary over genocide vote”, ABC News (Australian Broadcasting Corporation), August 21, 2013
3. Stephen Keys. “Armenian Genocide and ANZAC Day”, Scoop, 26 April, 2012
4. Wikipedia: “Armenian Australian


Artigo Original

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Legenda da Imagem

“Nem um único túmulo foi deixado intocado pelos turcos e nem uma única lápide foi deixada em pé. Muitos monumentos de mármore tinham sido levados e, aparentemente, os neozelandeses chegaram a tempo de impedir a remoção daqueles que restaram.”
O Cemitério Armênio em Jaffa, não muito longe de Jerusalém, fotografado por George Westmoreland; parte da coleção oficial do Ministério da Informação da Primeira Guerra Mundial do Reino Unido.


Atribuição e Fonte

Por Westmoreland [Public domain], via Wikimedia Commons


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