Fato Nº 48

O antigo hino nacional da Etiópia foi composto por um armênio

Além da costa do Mediterrâneo, no extremo norte-oriental do continente, a presença armênia na África tem sido em grande parte de alguns indivíduos e aventureiros, alguns com histórias fascinantes, e alguns que talvez tenham vivido mais problemas do que poderia ter valido a pena.

Os armênios da Etiópia compreendem a comunidade da diáspora organizada no continente com alguma visibilidade. Apesar de sempre em número reduzido, e perdendo terreno ao longo das últimas décadas, armênios etíopes fizeram sua forte marca na política e na sociedade daquele país, bem como nas artes – armênios no mundo da música etíope são particularmente famosos. Famílias como os Terzians são encontrados lá no caminho para o sul de Addis Abeba (capital) a partir do Império Otomano fugidos dos Massacres Hamidianos da década de 1890, trazendo mais amigos e parentes em outras ondas após os Massacres de Adana em 1909, e finalmente, o próprio Genocídio Armênio.

Uma história muito conhecida é a do Arba Lijoch, ou quarenta órfãos. Antes de Haile Selassie se tornar imperador da Etiópia, ele visitou Jerusalém em 1923, onde uma banda composta de jovens sobreviventes do genocídio chamou sua atenção. Ele adotou esses quarenta órfãos, que vieram para Addis Ababa liderados por seu maestro Kevork Nalbandian. Este grupo formou o núcleo da primeira orquestra oficial do país. Na verdade, as delegações estrangeiras que chegaram para a coroação de Haile Selassie, em 1931 foram recebidos por esta mesma banda, o hino nacional de cada país que era tocado em sucessão – todos, exceto o turco. Após algumas idas e vindas, Haile Selassie e chefes do país cederam à resistência por parte dos armênios “de tocar a música de um país que matou seus pais”. Kevork Nalbandian acabou compondo o próprio hino nacional da Etiópia, que permaneceu em uso até que o país passou por uma revolução em 1974.

A conexão armênio-etíope vem de muito, muito mais longe, já que os dois povos estão entre os primeiros cristãos no mundo, tanto que fazem parte do que é chamado de comunhão Ortodoxa Oriental de igrejas (ao lado de vizinhos Eritréia, algumas igrejas sírias, os coptas do Egito e as igrejas cristãs do sul da Índia). O alfabeto armênio e o alfabeto de amárico, a língua oficial da Etiópia, muitas vezes são conhecidos por sua aparência semelhante, embora estudiosos afirmem ser mais uma coincidência.

Além da associação religiosa, o primeiro diplomata enviado da Etiópia séculos atrás era um Mateos Armenawi (“Matthew o armênio”). Suas viagens para a Europa via Goa na Índia começaram em 1512 e foram feitas para buscar a intervenção portuguesa contra os otomanos em expansão. Um colega armênio, Murad, igualmente representou o tribunal etíope em várias capitais europeias, nas décadas que se seguiram.

Além da Etiópia, uma pequena comunidade armênia também existe no Sudão. A capital, Cartum, possui uma igreja armênia. A África do Sul também tem visto uma população armênia crescendo em número ao longo das últimas décadas, com algumas organizações e atividades comunitárias ocorrendo.

Alguns armênios individuais têm por sua vez traçado o seu caminho para todos os tipos de cantos daquele gigante continente. Uma história que comprova isso é a de que pilotos de avião de carga da Armênia foram detidos por involuntariamente estarem envolvidos em uma tentativa de golpe na Guiné Equatorial em 2004. Eles foram liberados mais tarde. Outra história muito mais incrível é a de George Avakian, um armênio Sul Africano, que deixou sua marca ao fazer uma apresentação de beatbox em um show de talentos da televisão. Para dar outro exemplo, armênios dos Estados Unidos, Bélgica, Líbano e criaram empresas no setor de mineração em Gana nos últimos anos.

E depois há Krikor DerBalian que se mudou do Egito, em 1964, para a Suazilândia – um pequeno reino de cerca de um milhão de pessoas, a maioria na África do Sul. Um pedaço da terra que comprou tornou-se o local da Capela Armênia Sourp Haroutun, que foi construída À mão entre 1985-1989 por ele e com ajuda local. Os móveis, com capacidade para 24 pessoas, e outros artigos religiosos, foram doados por ambos os amigos armênios e não-armênios.

Um clipe de TEZETA [Os etíope-armênios] um documentário de Aramazt Kalayjian A ser lançado em 2015.


Referências e Outras Fontes

1. David Zenian. “A Journey Back in Time: A Look at the History of Armenians in Ethiopia”, AGBU News Magazine, June 1, 1994
2. “Ethiopian Armenians in their own Words”, Keghart.com, 2009
3. Der Myron. “40 Armenian orphans – Genocide survivors – From Jerusalem to Ethiopia”, 2 minutes, 19 seconds
4. Bethan McKernan. “Ethiopia’s Armenians: Long history, small numbers”, Associated Press/MSN News, August 3, 2014
5. “Tezeta. Ethiopian Armenians / Թեզետա. եթովպացի հայերը”, Civilnet, February 14, 2013
6. Emil Danielyan. “Armenian Pilots Trapped in African Mercenary Plot”, EurasiaNet.org, October 6, 2004
7. “E Guinea leader pardons Armenians”, BBC News, June 7, 2005
8. Tom Vartabedian. “Armenian prospector stakes claim in West Africa”, The Armenian Reporter, January 22, 2014
9. “Armenian beatboxer George Avakian on South Africa’s Got Talent”, Armenia Online, 2012
10. Parik Nazarian. “Out of Africa: An Armenian. His Vision. A Legacy”, Armenian International Magazine, March, 1998
11. Wikipedia: “Armenians in Ethiopia
12. Wikipedia: “Armenians in Sudan


Artigo Original

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Legenda da Imagem

Estudantes armênios em Addis Abeba, na Etiópia, em 1918.


Atribuição e Fonte

[Public domain], via Wikimedia Commons


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