Fato Nº 34

Israel Ori tinha um plano para libertar a Armênia no século XVII

Figura notável na história da Armênia, Israel Ori viveu e trabalhou durante o início da era moderna revolucionária, quando novos pensamentos sobre política e sociedade foram sendo introduzidos pelos filósofos do Iluminismo na Europa. Muitos armênios, os comerciantes em particular, estavam sendo expostos a um novo mundo de descobertas da época, inclusive em termos de navegação e exploração, que muitos se deparavam enquanto exerciam suas atividades.

Nascido em 1659 em uma família nobre no que hoje é a região sul de Syunik na Armênia, Ori ainda em sua juventude acompanhou a delegação do Catholicos Hakob IV à Europa. O objetivo da missão era a de envolver o Papa em alguma diplomacia, na esperança de beneficiar a situação dos armênios, que estavam sob o domínio persa no lado leste e otomano no oeste. Porém, o Catholicos morreu em Constantinopla, precipitando, assim, o fim da viagem. Mas não para Ori. Ele insistiu e se envolveu com inúmeras empresas, incluindo o comércio, os militares, e apareceu nos tribunais de capitais europeias. Nos 20 anos seguintes viajou através de Veneza, Paris e Viena. Em certo ponto, ele foi capturado e libertado pelos britânicos, enquanto lutava para Louis XIV da França. Ele acabou servindo um príncipe alemão, Johannes Wilhelm, a quem prometeu a coroa da Armênia se ele apoiasse o plano de levantar centenas de milhares de tropas a marchar pela libertação do país.

Como Israel Ori não foi oficialmente apoiado por qualquer autoridade na época, ele voltou para a Armênia onde, durante uma reunião secreta em Angeghakot em Syunik em 1699, ele adquiriu uma carta com os selos e assinaturas das famílias armênias nobres locais como ferramenta de negociação para lidar com as potências europeias, símbolo da confiança depositada nele. No entanto, seus esforços com nobreza alemã e austríaca não foram bem sucedidos. Ori em seguida seguiu caminho para o poder que tinha algum interesse imediato nesses territórios, ou seja, Pedro, o Grande, da Rússia, que deu sua aprovação para liberar Armênia, bem como a Geórgia, que era um reino semi-independente na época. Ori serviu aquele Tsar durante os próximos dez anos, atuando como seu embaixador na Pérsia. Ele morreu em Astrakhan, no Mar Cáspio em 1711, em seu caminho de volta para São Petersburgo.

O trabalho de Israel Ori serviu de base para alguns outros libertadores entusiasmados com os seus planos e as atividades durante o século seguinte. Apesar de todos os esforços terem tido o mesmo fim, ineficaz, a porta diplomática com o Ocidente foi aberta aos armênios. À medida que o mundo se tornou menor através do comércio e exploração, o lugar da Armênia no mundo se tornou mais claro, poderoso e influente, pelo menos em parte devido a Israel Ori, o primeiro aventureiro.


Referências e Outras Fontes

1. Mark Malkasian. “Gha-ra-bagh!”: The Emergence of the National Democratic Movement in Armenia. Wayne State University Press, 1996, pp. 20-21
2. Razmik Panossian. The Armenians: From Kings and Priests to Merchants and Commissars. Columbia University Press, 2006, pp. 111-112
3. Wikipedia: “Israel Ori


Artigo Original

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Legenda da Imagem

Israel Ori (1659-1711)


Atribuição e Fonte

[Public domain], via Wikimedia Commons


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