Fato Nº 41

Danças folclóricas tradicionais armênias incluem criações da Diáspora

A herança armênia abraça a arte da dança, um dos elementos de qualquer cultura nacional. Muitos dos territórios habitados por armênios possuiam cada um suas próprias danças ou variantes locais de danças mais difundidas. Desnecessário dizer que as danças tradicionais de curdos, turcos, gregos, georgianos, azeris e outros compartilham muito no legado cultural regional.

Talvez a característica que imediatamente diferencie as danças armênias seja a natureza de grupo. Ou seja, “dança armênia” muitas vezes implica uma dança em círculo, ou “shoorchpar” (“shoorchbar“, em armênio ocidental). Eventos da comunidade – casamentos, em particular – frequentemente dispõem de homens e mulheres em pé ombro a ombro ou mindinho-a-mindinho, com o líder brandindo um lenço colorido, caminhando e saltando para trás e para a frente e à esquerda e à direita, seguindo o ritmo e batida, os movimentos ditados pela dança. Danças armênias incluem temas que vão desde a agricultura, como o plantio ou recolher a colheita, a lamentações ou comemorações, assim como atividades militares ou a caça.

O Tamzara e o Daroni, entre tantas outras danças, podem ter complicadas combinações de movimentos. Não é nenhuma surpresa que as organizações comunitárias das diásporas armênias tendem a apresentar grupos de dança para que essas tradições sejam transportadas para a nova geração. A comunidade armênia-americana em particular –  que tinha um fluxo rápido e robusto de armênios fugindo do Império Otomano – conseguiu criar danças próprias da diáspora em meados do século XX, como uma chamada de Michigan Hop. Eles eram a geração que sobreviveu ao Genocídio, que chegaram de regiões que abrangem os mares Negro e Mediterrâneo, e interagiram com os compatriotas agora pelas baías de São Francisco ou Massachusetts.

Uma dança armênia que é bastante realizada hoje é o Kochari. Esta dança tem movimentos mais ásperos, mais acentuados, sendo mais de domínio masculino, e dizem ter raízes – como acontece com muitas outras danças armênias – na antiga cultura pagã. O Kochari é de fato uma característica popular no repertório, seja de grupos da comunidade armênia em Los Angeles ou de Moscou, ou conjuntos profissionais na Europa e no Oriente Médio. Trajes tradicionais são muitas vezes usados por grupos de dança para adicionar mais uma camada de herança nas apresentações da cultura armênia em casa ou no exterior. No entanto, os participantes estavam de jeans e camisetas durante uma apresentação da dança Kochari por um grupo nas ruas de Buenos Aires em um flashmob de conscientização do Genocídio Armênio que aconteceu em 2011.

A tradição do círculo de dança foi elevada a um nível nacional, ou mesmo internacional, em 2005, com uma tentativa de recorde do Guinness para a maior e mais longa dança do tipo, enquanto milhares se reuniram no dia 28 de maio daquele ano ao redor do Monte Aragats, o pico mais alto no território da República de hoje da Armênia. Embora o recorde não tenha sido batido, armênios da pátria e da diáspora se uniram, em uníssono e em grande número, sem precedentes naquela ocasião.

O flashmob Kochari em Buenos Aires, 2011

Como dançar o Tamzara pelo Grupo de dança e música folclóricas Karin  (em armênio)


Referências e Outras Fontes

1. Laura Shannon. “Armenian Dance”, Hye Etch, August 30, 1999
Parte 1
Parte 2
2. Gary and Susan Lind-Sinanian. “History of the Armenian Dance”, first published in Vitlis magazine, Vol. 40, No. 5, January-February, 1982
3. Arax Armenian Dance Ensemble. “Dances
4. “Argentina Armenians Tell of Genocide with Dance”, Keghart.com, 2011
5. Raffi Youredjian. “London Armenian Dance Group Holds Christmas Fair (Photos)”, The Armenian Weekly, December 22, 2013
6. The Hamazkaine Sydney Dance Company


Artigo Original

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Legenda da Imagem

O Bert, ou “Fortaleza” – uma dança com um nome claramente descritivo, sendo realizada por um grupo do mesmo nome, em frente ao Opera House, em Yerevan, Armênia.


Atribuição e Fonte

Por The Dance Ensemble “BERT“, via Wikimedia Commons


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