Fato Nº 28

Imigração armênia para a América Latina ocorreu principalmente entre os anos 1920-50

A presença armênia na América Latina tem uma história relativamente recente. Apesar de fluxos para Brasil, Uruguai e Argentina datarem da virada do século 19 para o 20, a maior parte dos armênios desembarcaram na região após o genocídio. Grande número de armênios na América do Sul são descendentes de imigrantes da Cilícia (que corresponde a atual costa sudeste da Turquia) e se envolveram com comércio e fabricação de calçados. O fluxo de armênios para o subcontinente foi pequeno após o ápice da migração nos anos 1920, até praticamente se encerrar na década de 1950. Como resultado, as gerações atuais de armênios têm o português ou o espanhol como primeira língua. Mesmo assim, com as entidades típicas da diáspora como igrejas, escolas, clubes, jornais e rádios, a vida armênia continua nos principais centros como Buenos Aires, São Paulo e Montevidéu, além de comunidades menores como em Caracas, Santiago e outras.

O Uruguai é famoso no mundo armênio por ter sido o primeiro país a adotar uma resolução reconhecendo o genocídio armênio em 1965, cinquenta anos depois do início em 1915. Além disso, um político desse país demonstrou apoio em 2011 ao reconhecimento da independência de Artsakh (Nagorno-Karabakh).

Os armênios formam uma comunidade proeminente também no Brasil, onde são lembrados diariamente pelas milhões de pessoas que passam pela Estação Armênia do Metrô de São Paulo. Eles também estão bem representados nos negócios e na política, dentre outras áreas. Um jovem nome da comunidade armênio-brasileira hoje, por exemplo, é Krikor Sevag Mekhitarian, vencedor do campeonato nacional de xadrez em 2013.

Mas é a Argentina, de longe, a localidade onde a maioria dos armênios da América Latina chama de lar. Buenos Aires tem uma praça e uma rua batizadas em homenagem à Armênia, onde várias igrejas, escolas e restaurantes estão localizados. O país é também fonte de alguns investimentos-chave na atual República da Armênia, incluindo no Aeroporto Internacional Zvartnots, nos Correios, bem como no setor agrícola.

A presença desse povo no hemisfério ocidental é também marcada pelas inúmeras cidades chamadas de “Armênia”, como na Colômbia (famosa pelo café, por coincidência), mas também em El Salvador, Guatemala, Honduras e Equador. Embora persistam os rumores que essas cidades tenham sido nomeadas em tributo às vítimas dos massacres hamidianos nos anos 1890, é mais provável que os colonizadores tenham se inspirado em nomes bíblicos para batizar essas localidades.

Há também presença armênia no México – pequena, mas ainda influente, conforme demonstrado na recente controvérsia sobre uma estátua do Azerbaijão num parque na Cidade do México. Arturo Sarukhan, para citar um nome armênio-mexicano, serviu como embaixador do México nos EUA entre 2007 a 2013. Ele é considerado o primeiro diplomata em Washington a adotar o Twitter como ferramenta de comunicação. Outro representante dos armênios no México é Marie Pishmish, primeira mulher a se formar na Universidade de Istambul, foi figura central no estabelecimento e desenvolvimento das ciências astronômicas no México, exercendo o magistério na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) por mais de meio século.


Referências e Outras Fontes

1. Heitor Lourero. “The Armenians in Brazil and the Genocide in the Diaspora”, 9th Conference of the International Association of Genocide Scholars, Buenos Aires, 2011
2. Armenian National Institute. “Uruguay Senate and House of Representatives Resolution
3. David Zenian. “The Airwaves of Montevideo: An Armenian Community Forum”, AGBU News Magazine, January 1, 1992
4. David Zenian. “Home of the Extended Armenian Family”, AGBU News Magazine, January 1, 1992
5. Los armenios en La Merced (ciudad de México). Carlos Antaramián/El Colegio de Michoacán, 2012. 60 minutes (in Spanish)
6. Carlos Antaramián. “Armenians in 1930s Mexico City and April 24th Commemorations”, Journal of the Society for Armenian Studies, Vol. 19, No. 1, 2010, pp. 45-60
7. Marianna Grigoryan and Shahin Abbasov. “Azerbaijan, Armenia: New Front in Karabakh Conflict Opens in Latin America”, EurasiaNet.org, September 16, 2011
8. Elisabeth Malkin. “Statue of a Foreign Autocrat Sits Uneasily With Some”, The New York Times, November 12, 2012
9. Elisabeth Malkin. “Mexico: Statue of Ex-Leader of Azerbaijan Removed”, The New York Times, January 26, 2013
10. Vartan Matiossian. “An Enduring Myth: The Origins of the Name ‘Armenia’ in Colombia”, Journal of Armenian Studies, Vol. 9, Nos. 1-2, 2010, pp. 199-220
11. Pablo Roberto Bedrossian. “Armenians of Central America”, Keghart.com, August 31, 2009
12. “Brazil Chess Champion Mekhitarian Discusses Career, Armenia”, The Armenian Weekly, March 11, 2013
13. Emil Sanamyan, Lusine Sarkisyan. “Mexico’s ambassador to the United States discusses his Armenian heritage”, The Armenian Reporter, October 29, 2008
14. Jennifer Manoukian. “An Armenian Supernova in Mexico: Astronomer Marie Paris Pishmish”, ianyanmag, March 24, 2013
15. Wikipedia: “Armenian Argentine
16. Wikipedia: “Arturo Sarukhán


Artigo Original


Legenda da Imagem

A igreja armênia de São Gregório, o Iluminador em Caracas, capital da Venezuela


Atribuição e Fonte

Por Ministério da Diáspora (República da Armênia) [Public domain], via Wikimedia Commons


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