Fato Nº 27

Missak Manouchian foi líder de um grupo de estrangeiros que lutou pela Resistência na França durante a II Guerra Mundial

Os campos de batalha nos frontes da II Guerra Mundial eram um contraponto a maioria das cidades da França sob ocupação nazista que não presenciaram o banho de sangue com tanta intensidade. Entretanto, a França vivenciou muita violência causada pelos membros da Resistência que dirigiam seus ataques aos líderes nazistas ou às suas instalações no país. A Resistência incluía vários grupos que lideraram esforços para minar ou danificar as operações nazistas no país, incluindo atentados a bomba, assassinatos, guerrilha e sabotagens, além de espionagem e publicação de jornais clandestinos. Entre os inúmeros grupos da Resistência estava o “Francs-tireurs et Partisans – Main d’œuvre immigrée” [MOI] (Atiradores e guerrilheiros – Mão de Obra Imigrante – MOI), uma organização sindical composta de estrangeiros.

Um desses estrangeiros era Missak Manouchian. Nascido na cidade otomana de Adıyaman em 1906, Manouchian e seu irmão eram sobreviventes do genocídio armênio e passaram pela Síria antes de chegarem em Marselha em 1925. Carpinteiro empenhado, Manouchian era conhecido nos círculos armênios como um poeta e literato, idealizando duas revistas culturais na comunidade franco-armênia e editando uma terceira. Suas atividades militantes comunistas o fizeram ser preso no começo da guerra, mas foi libertado rapidamente e se juntou à Resistência.
Missak Manouchian era responsável por um grupo de 23 guerrilheiros – incluindo outro armênio, Arpen Tavitian, inúmeros judeus da Polônia, Hungria e Romênia, bem como pessoas da Espanha, Itália e da própria França – e cometeu assassinatos e outros ataques durante 1943. Eles foram presos em novembro daquele ano e fuzilados em 21 de fevereiro de 1944.

O Grupo Manouchian é conhecido por ter sido alvo do Affiche Rouge (cartaz vermelho) espalhado pela França em março de 1944. A intenção era servir como um sinal de alerta aos estrangeiros e judeus apoiadores da Resistência. O cartaz inclui retratos de dez membros do grupo, circulados em preto, acima de um campo com cadáveres, linhas de trens sabotadas e armas. Os retratos estão organizados em uma pirâmide invertida no topo da qual está “Manouchian – Arménien – Chef de Bande” com 56 ataques, 150 mortos e 800 feridos atribuídos a ele.

O cartaz, bem como a última carta escrita por Manouchian à sua mulher Méliné Assadourian, inspirou um poema de Louis Aragon, mais tarde musicada por Léo Ferré. “O exército do crime” – conforme o cartaz descreve o grupo – é também título de um filme produzido em 2009.

Seguem abaixo alguns trechos da carta de Manouchian à sua mulher:

Eu entrei para o Exército de Libertação como um soldado voluntário e morro à beira da vitória e do objetivo Felicidade para aqueles que sobreviverão e aproveitem a Liberdade e a Paz do porvir. Tenho certeza que o povo francês e todos aqueles que lutam por liberdade saberão como honrar nossa memória dignamente. No momento da minha morte eu afirmo que não tenho ódio pelo povo alemão ou por quem quer que seja, todo mundo terá o que merece como punição e como recompensa. O povo alemão e todas as outras nações viverão em paz e irmandade depois da guerra, que não durará muito mais.

(…)

Logo morrerei junto dos meus 23 camaradas com a coragem e a serenidade de um homem que tem a consciência tranquila, pois, pessoalmente, eu não causei mal a ninguém e, se fiz, eu o fiz sem ódio. Hoje tem sol. Enquanto eu olho para o sol e para a beleza da natureza que eu amo tanto eu direi adeus para a vida e para todos vocês, minha amada mulher e meus amados filhos. Eu perdoo todos aqueles que me feriram ou quiseram fazê-lo, exceto aquele que nos traiu para salvar a sua vida ou aqueles que nos denunciaram. Muito amor para você, para sua irmã e para todos os amigos que me conhecem, distantes ou próximos, eu levo todos vocês no meu coração.

Adeus, do seu amigo, camarada e marido,
Manouchian Michel.


Referências e Outras Fontes

1. “Manouchian, Missak (1906-1944)”, Encyclopedia of Marxism: Glossary of People, Marxists Internet Archive.
2. Mitch Abidor. “The Manouchian Group”, Marxists Internet Archive
3. “Homages aux ‘Terroristes’”, Les Actualités Françaises newsreel clip from 1945 reporting on a commemoration of foreign Resistance fighters, including those of the Affiche Rouge
(in French)
4. “Missak Manouchian, héros de la Résistance”, Palais de la Porte Dorée, Musée de l’histoire de l’immigration (in French)
5. “L’Affiche rouge: Des libérateurs présentés comme des criminels”, Palais de la Porte Dorée, Musée de l’histoire de l’immigration (in French)
6. L’Armée du crime/The Army of Crime. Robert Guédiguian, 2009. 139 minutes
7. “Missak Manouchian: His Last Letter”, January 9, 2010
8. Dihran Vosguéritchian, Nil Vahakn Agopoff. “Les Arméniens dans la Résistance en France” (in French and Armenian)
9. “Missak Manouchian: Poète et résistant (1906 – 1944)”. Comité de Défense de la Cause Arménienne (in French)
10. “Missak Manouchian”, NetArménie.com (in French)
11. Wikipedia: “Missak Manouchian
12. Wikipedia: “French Resistance


Artigo Original

Der rote Maquis in Frankreich
Ein in Gefangenschaft geratener französischer Terrorist.
Foto. Kriegsberichter Theobald

Legenda da Imagem

Missak Manouchian (1906-1944)


Atribuição e Fonte

Bundesarchiv, Bild 146-1983-077-09A / Theobald / CC-BY-SA [CC-BY-SA-3.0-de], via Wikimedia Commons


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